Criado em 1997 em Manaus, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) é hoje um dos mais prestigiados eventos do gênero do mundo. Palco de espetáculos icônicos, como Lulu, de Alban Berg, e o ciclo completo do Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, o FAO já se consolidou como o grande evento de ópera fora do eixo dos centros europeus e norte-americanos.
O Festival é o mais constante e longevo evento do gênero no Brasil e conta com a plateia de ópera mais jovem do país, o que evidencia o interesse das novas gerações e destaca o Amazonas na cena lírica brasileira. Como parte de seu compromisso com o acesso à cultura, o FAO oferece ingressos a partir de R$10,00, promovendo a democratização do acesso e a formação de novos públicos para a ópera.
Consolidando-se também como espaço de debates sobre o mercado da ópera, o Festival já sediou eventos importantes, como a Conferência Anual de Ópera Latinoamérica (OLA) e o encontro Teatros de Ópera e Economia Criativa na América Latina.
Além disso, o FAO mantém projetos contínuos de educação, capacitação profissional e formação cultural, incluindo iniciativas voltadas para crianças e adolescentes, como Central Técnica de Produção (CTP), Mentoria para Mulheres, Ópera Mirim, Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, entre outros. Essas ações impulsionam a inclusão social e o desenvolvimento local.
O FAO e a Cascais Opera, de Portugal, assinaram em 2025 um Protocolo de Colaboração para instituir o Prêmio Carlos Gomes no contexto do Cascais Opera – Concurso Internacional de Canto. Além de fomentar o intercâmbio cultural, o prêmio dá visibilidade internacional ao FAO e atua como embaixador do Festival, prestando também uma homenagem a Carlos Gomes, o maior compositor brasileiro de óperas.
Da esquerda para a direita: Maestro Luiz Fernando Malheiro (Diretor Artístico do FAO), Alexandra Maurício (Diretora Executiva da Cascais Opera), Adriano Jordão (Diretor Artístico da Cascais Opera), Secretário Caio André (Secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas) e Flávia Furtado (Diretora Presidente do FFAO e Diretora Executiva do FAO) Assinam Protocolo de Colaboração entre o FAO e a Cascais Opera.
Em 2025, o FAO recebeu a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, uma das maiores distinções concedidas pelo governo federal a iniciativas de destaque na promoção da cultura brasileira. A homenagem reconhece o protagonismo da Amazônia na arte lírica nacional e o papel transformador do evento na valorização da ópera como expressão artística acessível e conectada às realidades e potencialidades da região.
Reconhecido pela crítica como um dos principais nomes da ópera no Brasil, Maestro Malheiro, como é conhecido, tem em seu repertório mais de 70 títulos regidos.
Estudou composição com J. Targosz, na Polônia, e com R. Dionis, na Itália. Estudou regência com T. Colacioppo, no Brasil, e K. Missona, na Polônia; e na Itália, com Leonard Bernstein, em Roma, F. Leitner, em Siena, e Carlo Maria Giulini, em Milão.
É o atual Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Amazonas Filarmônica, além de Diretor Artístico do Festival Amazonas de Ópera (FAO). Foi diretor artístico do Theatro São Pedro de São Paulo e regente titular de sua orquestra; também foi diretor musical e de ópera no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Vencedor do Prêmio Carlos Gomes: Regente de Ópera (2012, 2011 e 2009) e do Universo da Ópera 2000, dirigiu no FAO, em 2005, a primeira montagem brasileira do Anel do Nibelungo, de Wagner, recebendo ainda mais dois prêmios: Universo da Ópera e Espetáculo do Ano. Possui gravações de óperas com a Rádio Nacional da Bulgária e já regeu orquestras e óperas no mundo inteiro, em países como Argentina, Bulgária, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Israel, Itália, México, Portugal, entre outros.
O FAO é realizado em uma das grandes joias culturais da Amazônia, o Teatro Amazonas, no Centro Histórico de Manaus. Inaugurado em 1896, foi considerado um dos mais belos e relevantes teatros do planeta pelo jornal inglês The Guardian.
Durante seus mais de 20 anos de existência, o FAO impulsionou um profundo processo de transformação e ressignificação do Teatro e seu entorno:
• Revitalização da região do Teatro Amazonas, no Largo de São Sebastião, onde está localizado, com oito novos hotéis, sendo dois deles 5 estrelas, e mais de dez novos cafés e restaurantes, além de lojas de artesanato certificado de povos originários do Alto Amazonas
• Abertura de seis lojas de instrumentos musicais na cidade
• Ampliação da demanda de profissionais e técnicos capacitados a atuar em diversas áreas da cultura e do turismo
De zona degradada, passou a ser uma área pulsante da cidade, reapropriada pela população.
Desde sua fundação, o Festival Amazonas de Ópera estabeleceu uma verdadeira indústria da ópera em Manaus. Cerca de 1.500 pessoas trabalham direta ou indiretamente no festival anualmente.
Cerca de 700 postos de trabalho diretos são criados a cada ano. Isso representa mais do que os postos gerados por nove setores (brinquedos, mineral não metálico, vestuário e calçados, ótico, têxtil, diversos, couros e similares, beneficiamento de borracha e material de limpeza e velas) da Zona Franca de Manaus. Aproximadamente 400 funcionários da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas (SEC) e do Teatro Amazonas se dedicam exclusivamente ao festival durante alguns meses do ano.
A Secretaria ainda estima que por volta de 500 postos indiretos de trabalho são criados para atender as demandas de turismo durante o evento.
Na Central Técnica de Produção José Carlos Viana Marques (Zezinho) (CTP), projeto criado e mantido pelo FAO, 98% dos postos de trabalho são preenchidos por amazonenses.
Na CTP, esses profissionais recebem capacitação em serralheria, carpintaria, pintura, costura, entre outras áreas, e encontram novos espaços e valorização dentro da estrutura do Festival.
A capacitação e experiência no FAO criam um polo de qualificação profissional e produção artística e geram oportunidades de trabalho para esses profissionais praticamente o ano todo, pois além do FAO, trabalham em outros grandes eventos regionais, como o Carnaval e o Festival de Parintins.
A FAO oferece programas de mentoria de carreira, gestão e produção cultural para mulheres, e também criou o Fórum de Mulheres da Ópera Latinoamérica, uma iniciativa regional focada no empoderamento das mulheres na indústria de ópera da América Latina.
O Ópera Mirim é um projeto sociocultural que leva a cultura da ópera para crianças e adolescentes por meio de espetáculos de marionetes.
As apresentações são feitas em escolas e hospitais públicos em todo o Estado do Amazonas, uma ação que simultaneamente amplia o público do gênero e o repertório dos participantes.
O Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro oferece aulas de canto, dança, música e teatro ministradas por profissionais dos corpos artísticos do Teatro Amazonas a 6 mil crianças e adolescentes anualmente no município de Manaus.
Por meio da realização do Festival e de suas ações e projetos socioculturais e econômicos de longo prazo, o FAO fortalece o campo da Economia Criativa no Estado do Amazonas, onde as mudanças estruturais têm a cultura como ferramenta de transformação econômica e social.
Ao criar novas oportunidades e alternativas a atividades predatórias ou ilegais na floresta amazônica, o FAO contribui para o desenvolvimento sustentável da região, o combate ao desmatamento, a preservação da floresta e a contenção das mudanças climáticas.